O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014


Mulher e chama

 

 sou-te presente mulher e chama
ímpeto fremente de lua abandonada
aberta ao calor na turbulência da noite
ignota fonte de ternura derramada
 
na tua pele terno leito desejado
no teu peito celestial momento
estrela perdida em teu horizonte
   faísca a galope, calendário sem tempo 
 
vem ter comigo, vem e faz-me
florir no inverno, rubra de desejo
a gemer num beijo louca de saudade
 
vem ter comigo, vem e traz-me
a verdade e o lance de um condor
e nos céus do Prazer voarei contigo
 Teresa Almeida

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

"Pathétique"

 
Talvez como quem justifica a dor da ausência

mandaste-me Tchaikovsky como embaixador.
 
 
Interpretei os silêncios  da sinfonia (era a 6º )

 como quem se prepara e espera do amor

uma avalanche de emoções. Depois sentia-as fluir,

por antecipação, deslizando na amargura,

na saudade, na ânsia. O rosto molhado e o olhar entranhado

na apoteose de toadas finais. Porém, quando a melodia hesita

 e treme nas íntimas fímbrias do meu peito,

 quero adivinhar novos acordes - sinfonias de euforia.
 
 
E foi assim, nesta manhã estremunhada e opaca,

que Tchaikovsky ocultou as estrelas que nos adormeceram

e a orquestra tocou - demoradamente - só para nós!
 
Teresa Almeida
Rio Douro - Miranda do Douro