Na alvura do sonho
O comboio em linha de água
Serpenteava
Tremendo de emoção
Em carris deslizava
Não se esquece aquele apitar
A vida cheia, a pulsar
Encontros, partidas, chegadas
Despedidas emocionadas
Fortes pontes de união
Os carris ainda lá estão
Cabelos de carvão
Chispavam ardentes
Escritores alvoreciam
Entre margens de inspiração
Em linhas de ferro escreviam
Mas o centralismo, a velocidade
A locomotiva desactualizou
E a desorientação instalou
Desertos de humanidade
Acentuam a interioridade
O turismo e a cultura
Não viajam por aqui
São carris abandonados
Nervuras de saudade
Sonhos perdidos
Em escarpas esculpidos
Teresa Almeida 24.01.2011