segunda-feira, 17 de junho de 2019

Frémito de ave




Amo a talha, o lagar, a candeia de azeite
E o lampião.
Amo o verde-mar a pique
Da natureza o deleite
E um fio d'ouro a entranhar-se
Num cibo de pão.

Amo a noite e tua saia
Negra de viúva.
E beijo-a como se fora
Manto e aurora
Cor azeitona
Madura uva.

Amo a oliveira
A luz e o chão

Palavra que incendeia
E o frémito de ave
Que perpassa
A tua mão.


Teresa Almeida Subtil


(Foto do Museu do azeite, em Mirandela)

11 comentários:

  1. Boa tarde Teresa,
    Tão belo o seu poema, em que as suas sublimes palavras poéticas me fizeram regressar à infância onde o tema esteve também muito presente.
    Obrigada.
    Um beijinho.
    Ailime

    ResponderEliminar
  2. utensílios (fora de tempo) e lugares que modelam o imaginário da poeta
    e alimentam o sentido último dos seus belíssimos poemas

    sem referências culturais fundas, a poesia não será que brilhozinho efémero (mais ou menos sedutor), não é verdade Teresa?

    gostei muito, minha amiga.
    aplauso.

    beijo

    ResponderEliminar
  3. Olá, amiga!
    Este seu poema vive de simplicidades chãs. Gosto. Há palavras a que eu mesma não me consigo esquivar nos meus poemas, tão imperativas se tornam elas, e uma delas é "ave", ou "pássaro". Considero-o uma limitação minha, mas também vivo, na poesia, de coisas simples. Valorizo muito isso e gosto de apreciar o mesmo noutras obras. Este poema é, para mim, simplicidade viva.

    Tenho andado ausente e agora vai ser mais assim, porque ando sem inspiração e também não consigo acompanhar as postagens dos blogues todos que sigo. Pelo facto peço desculpa. Mas é com prazer que venho aqui. Também peço desde já desculpa por deixar esta mensagem igual para todos os blogues.
    Bjo

    ResponderEliminar
  4. Querida Teresa

    Essas evocações trazem-nos cheiros e sabores dum tempo precioso, infelizmente arredado de alguns de nós. Nos seus versos comprazemo-nos em tomar-lhe o peso e aí nos abandonarmos com a pureza ainda intacta da infância.

    Beijos.

    Olinda

    ResponderEliminar
  5. Teresa Almeida ainda me recordo da candeia de azeite a alumiar a minha casa. Ainda era o tempo da Grande Guerra. De resto o bonito poema retrata muito o meio rural, que me foi muito familiar. Gostei de reviver o passado, se bem que seja hoje, completamente, desenraizado.
    Bjs

    ResponderEliminar
  6. O teu imaginário poético faz-me regressar à infância. Tens uma forma mágica de fazer com que os poemas me restituam a inocência. Maravilhoso, Teresa.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

    ResponderEliminar
  7. Impossível não amar a intensidade que brota das suas palavras, Teresa... que nos toca a alma, e nos faz percorrer o nosso país, de uma forma transversal, através da mais pura emoção... Adorei cada palavra!!! Parabéns!...
    Um beijinho grande!
    Ana

    ResponderEliminar
  8. Este teu poema é uma demonstração da arte do bom uso poético de utensílios já não usados, mas que ainda povoam as nossas lembranças.
    Os meus aplausos para este excelente poema.
    Teresa, continuação de boa semana.
    Beijo.

    ResponderEliminar
  9. Através das suas palavras viajei até aos meus tempos de criança quando ía de férias até à casa dos meus avós.
    Um poema encantador.
    Beijinhos
    Maria
    Divagar Sobre Tudo um Pouco

    ResponderEliminar
  10. Votos de um feliz domingo, e continuação de um óptimo mês de Julho... apesar do tempo, continuar tão incerto e atípico, desta época...
    Beijinho
    Ana

    ResponderEliminar
  11. Amo o lagar, lagareiro
    E a oliveira também
    Pelo néctar que ela tem
    Qual tesouro verdadeiro!

    Também amo o candeeiro,
    Cuja luz é o grande bem
    Quando a noite escura vem
    Ao serão tão corriqueiro...

    O teu poema, Teresa,
    Tem no contexto a nobreza
    Do ouro mostrado em fio

    Qual filigrana. A beleza
    Do tesouro é posta à mesa
    Com muita elegância e brio!

    Parabéns! Grande abraço! Laerte.

    ResponderEliminar

Voltarei!