quarta-feira, 25 de março de 2020

Oitavo dia





 Da janela sobressai o castelo
E as escadas que me levam
A percebê-lo.
É velho e, todavia, ergue-se pedra a pedra
E esmorece nas falhas
Feitas de memória e de perda.

A cerejeira brava é, agora, a rainha
E talvez com o calor a pique
Algumas delícias eu ainda debique
Sentindo-me pássaro no voo e na canção
Trincando, mordo a mordo,
A primavera e o verão.

A vida continua num ritmo em que participo
Como se abraçasse a natureza
No bico do amor e do desejo.

E saboreio o café e o almendruco
Que me fala
Das amendoeiras que daqui vejo.

Teresa Almeida Subtil




13 comentários:

  1. Saudações amigas
    .
    Delicioso aspecto tem esse bolinho e o café. Para aquecer estes dias de "prisão domiciliária" a que estamos "obrigados" a suportar para bem da comunidade e de nós mesmos. Maldito coronavirus.
    .
    Tenha um dia de Paz, Amor, Felicidade.

    ResponderEliminar
  2. sabores que perfumam a vida.
    e pequenas coisas que a embelezam ...

    gostei muito, Teresa.

    beijo, minha amiga

    ResponderEliminar
  3. O que se pode ver e sentir de uma janela...
    Excelente poema, gostei imenso.
    Teresa, um bom fim de semana.
    Beijo.

    ResponderEliminar
  4. Querida Teresa

    Eis um ambiente cálido e convidativo.
    Poema que nos leva ao âmago de nós, minha amiga.

    O almendruco deu-me que pensar mas já fizémos a devida
    aproximação. Descobri-lhe a raiz. Assim, a promessa de um
    debicar "mordo a mordo".

    Joe D'Assin? O meu cantor de sempre. E esta canção que me faz sonhar. "Et si tu n'existait pas, dis-moi pourquoi j'existerais..." Lindo!

    Beijos
    Olinda

    ResponderEliminar
  5. Como eu gostava de poder ver as amendoeiras em flor, daqui da minha janela, só dá mesmo para ver, os prédios e ruas ao redor.
    Que delicioso poema.
    Por nós e pelos outros, é fundamental que fiquemos em casa.
    Espero que tudo corra bem consigo e com todos os seus.
    Um grande beijinho

    ResponderEliminar
  6. "Sentindo-me pássaro..."
    Que maravilhoso e reconfortante é ler-te, Teresa.

    Um beijinho :)

    (Tinhas por aí um vídeo com testemunhos de vários mirandeses. Que lhe aconteceu?)

    ResponderEliminar
  7. Caro AC, fico contente que aprecies a língua e a cultura mirandesa.

    O vídeo ainda lá está. Também gostei de participar.

    https://www.facebook.com/100008330358179/videos/2578837139070606/UzpfSTEwMDAwMDgxNjk4ODM2MjoyODAxMDU1NDY5OTM


    Um beijinho. :)

    ResponderEliminar
  8. corrigindo-me :))

    "si tu n'existais pas"

    bj

    ResponderEliminar
  9. Eu de novo, querida Teresa.
    Aproveitei o endereço acima e assim consegui entrar e ouvir as mensagens em mirandês, sobre a necessidade de ficar em casa.

    Obrigada.
    :)
    Olinda

    ResponderEliminar
  10. O que tu vês da tua janela, Teresa, faz-me "inveja"! Tanta coisa bonita e apetitosa! Confinada a um espaço restrito, a nossa casa, saboreamos melhor tudo o que vemos.

    Se ele, o vírus, não existisse, nós continuaríamos a existir com alegria e liberdade.

    Beijos e dias de esperança.

    ResponderEliminar
  11. Como sempre, um poema a transmitir boa energia, mesmo neste momento delicado pelo qual estamos passando. "A vida continua num ritmo em que participo/ como se abraçasse a natureza." E a natureza nos ensina tanto, se quisermos aprender. Aliás, este é um momento em que a natureza nos dá um aviso para que possamos rever muitos de nossos hábitos, inclusive alimentares. Espero que tu estejas bem, Teresa, tomando cuidado, um beijo.

    ResponderEliminar
  12. Mais um momento poético sublime!... Deliciosamente acompanhado, com um encantador fundo musical!
    Belíssima janela, esta... que por aqui, nos devolve uma alma nova, nestes dias, em que o nosso espírito anda tão amarfanhado, em estatísticas, curvas e números deprimentes...
    Beijinho!
    Ana

    ResponderEliminar

Literatura de Natal