O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

terça-feira, 10 de julho de 2012

há uma mágoa que guardo



nunca saberás

leva um selo sobre a minha assinatura

já quis atirá-la ao mar bravio – que leva mágoas em fúria

aquelas fininhas que descobrimos um dia sem saber como

antigas – não têm cura




lembro-me do tempo de juventude inflamada

lembro-me da tua mão amiga, da tua estima

afinal era um pequeno véu de espuma

que a lembrança cobria

e junto ao mar, indelével, se descobria




leva um selo branco a nossa amizade – nunca saberás

não há vida que nos leve para lá do carinho, da gratidão

não agarrei o tempo para te agradecer, não te soube dizer




é por isso que aqui estou neste invernoso verão

junto ao mar, a lembrar – me de ti

era esta a água fria, eram estas as ondas descontroladas

era este o mar que se divertia a banhar a juventude e a alegria


 


parece que me esqueci de ti – mas não

Teresa Almeida

2 comentários:

  1. Belo, nostálgico, sentido. Uma recordação, uma homenagem a despedida que não pôde efetuar-se???
    Que importa! Acho que há marcas que ficam para sempre, podem é ser hibernadas pelo nosso querer...Há a vida que nos empurra!

    Bjuzz, amiga :)

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  2. É a vida que nos empurra, sim.
    Como sempre, entras no âmago das palavras.Perspicácia profissional. :)

    Bjuzz querida amiga :)

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