segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Fascínio




 Não sei se o fascínio vem do brilho dos solitários

com coloridas folhas de parreira

se da beleza translúcida da jarra verde

comprada para o casamento da avó

se da travessa esmeralda, enfeitada

com uvas de rei da vinha da faceira.



Ou será apenas  um poema

que vive na sala um enredo outonal

filtrado à hora mágica do sol-pôr

ou a saudade esgueirada dum olhar amigo

pena esvoaçante de ave

pintada num elegante vaso antigo?


Teresa Almeida Subtil



18 comentários:

  1. O fascínio surge, quando as palavras saem da alma da poetisa, de tal maneira vivas e sentidas, que formam em nós uma imagem de paz e serenidade de uma sala muito especial.
    Maravilhosa poesia.
    Beijinhos
    Maria

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  2. “Não sei se o fascínio vem do brilho dos solitários

    com coloridas folhas de parreira"

    se da beleza translúcida da jarra verde”


    Vê-se a beleza deste seu poema, querida amiga Teresa, pelos belos versos que abrem esta obra poética. Gostei muito. Parabéns!
    Um beijo e uma boa noite Teresa.
    Pedro

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  3. Não sei, não sei, querida Teresa, se o som do piano me abranda ou me eleva, mas sinto-me enfeitiçada com as tuas palavras.

    A jarra, sim, a verde, comprada para o casamento da avó ou a travessa ou o entardecer, talvez tudo junto, façam deste teu belo poema o fascínio de que falas, mas acho que este substantivo é pequeno para descrever toda a grandiosidade das tuas linhas.

    Beijos e boa semana.

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  4. Interessantíssimo, querida Teresa, não será por acaso que o fascínio venha do brilho dos solitários? Estou pensando, tantas são as opções...mexe mais com as emoções!
    Parabéns, querida amiga, muito lindo!
    Um beijo

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  5. Pode ser tudo, com a beleza que cada coisa contém. Mas o "poema que vive na sala um enredo outonal filtrado à hora mágica do sol-pôr" é conivente com esse fascínio que cerca o teu olhar e as tuas palavras. Tão belo!
    Um grande beijo, Teresa.

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  6. Tudo junto, não é verdade Teresa? Não há como escolher ou identificar as cores, os sons, os sabores e os objectos que nos rodeiam, se tudo tem um significado para cada instante da vida, fazendo-se presentes qualquer que seja a cor do tempo.

    Uma bela viagem, minha amiga, parecida com algumas que enceto, de quando em vez, no recesso do meu íntimo.

    E adorei. Adoro esses seus poemas plenos de doces sentimentos, perenes.

    Beijos

    Olinda

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  7. belíssimo teu Poema, Teresa! uma bela "encenação" de palavras, memórias, gestos e objectos valiosos e singulares, num ballet de formas e sentidos que envolvem, sem escapatória, o leitor.

    adorei o "brilho dos solitários" e a inscrição das folhas de parreira!

    parabéns, minha amiga

    beijo

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  8. Também fico fascinado com o brilho das tuas palavras.
    Excelente poema, como sempre.
    Teresa, continuação de boa semana.
    Beijo.

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  9. Toda a nostalgia do Outono, poetizada com brilhante
    romantismo, associado a peças decorativas de grande
    valor sentimental... Muito belo.

    A minha mãe também teve como prendas de casamento,
    peças desse vidro verde decorado a ouro...

    Dias serenos e inspirados.
    O meu abraço, querida amiga.
    Beijos
    ~~~

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  10. Há um fascínio neste teu poema, querida Teresa, que me fascina, menos pelas suas indagações, que pelas fascinantes imagens que contém. Tudo nele é plástico, visual, quase gráfico. Um poema sinestésico, seria?

    Pouco importa, nele as indagações se transmutam em poesia quando esta se torna emocional (não necessariamente o piano!), quando esta se enreda na doce atmosfera do outono, e termina seu voo num arabesco de pena de ave pintada em um vaso antigo.

    Fascinante. Fascinado.

    Um ótimo fim de semana, querida amiga!

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  11. Belo poema :)

    Beijinho | danielasilva-oficial.blogspot.com

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  12. Parabéns, oh poetisa,
    Porque hoje é o teu dia:
    Do poeta e poesia,
    Que hoje se realiza.

    Meu cumprimento que visa
    Exaltar a arte e a magia
    Da poetisa que cria
    Versos que voam com a brisa

    Levando junto o perfume
    Ao mais elevado cume
    Do belo da natureza

    Como aquilo que resume
    A beleza sem ciúme
    Da divina luz acesa!

    PARABÉNS, POETISA! Grande abraço! Laerte.

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  13. Este olhar perscrutador atento “pescando” a poesia dos objetos e, ao mesmo tempo, mexendo com a memória, leva ao leitor a sensação agradável de estar de mãos dadas com o Outro.
    Um beijo, minha amiga Teresa!

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  14. Passei para ver as novidades.
    Mas gostei de reler este teu magnífico poema.
    Amiga Teresa, tem um bom fim de semana.
    Beijo.

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  15. Olá, Teresa, como estás? Espero que bem. Eu poderia reconhecer este poema como sendo teu mesmo que eu não soubesse de fato a autoria, são versos que transmitem a tua maneira mais genuína de expressão. Um beijo!

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  16. Estou fascinada pela sua escrita, pela expressão e encanto das suas palavras!

    Grata por partilhar o seu talento!
    Beijinhos

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  17. Por aqui... o fascínio... são as suas inspiradoras palavras, Teresa... que nos transportam para outros cenários e emoções... e que ainda assim, sempre nos fazem sentir em casa...
    Beijinho! Feliz domingo!
    Ana

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