terça-feira, 25 de agosto de 2020

Folhas soltas

 

Agosto frio no rosto, já dizia a minha querida avó Adília. E, todavia, não. Agosto entrou em Miranda do Douro com desenvoltura: calor intenso, brilho de searas loiras debruçadas nas ribanceiras e gente a circular com alegria. Muitos já esqueceram a máscara, mas nada é seguro. Continuo mascarada e gosto de ler agosto poliglota, com férias na mirada, sem tempo contado, espelhos de rio, aromas de fiolho e madressilvas, sabor a figos maduros e amoras silvestres e sangue D’ouro correr nas entranhas. Folhas soltas de um livro transparente que amo e em que sinto a alma. E quantos mais o lerem mais se lhe fortalece o espírito e o desejo. É um livro de folhas soltas que se entrega e cativa com elegância e ancestralidade. É penedo que brada e se faz amigo. É laço que se solta e abraça. É aquela batida de passos em socalcos e cruza os céus como aves de saias brancas, esvoaçantes e chapéus floridos. Miranda é jovem, mormente quando busca e cava memórias em tempo enterrado. Miranda quer saber. Quer estribar-se no passado e arribar-se ao futuro.

Teresa Almeida Subtil

 



18 comentários:

  1. A imagem e o texto são fantásticos! 🌹
    -
    Procuro a noite dentro da solidão...
    -
    Beijo e um excelente dia!

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  2. Thank you for sharing this wonderful post keep your awesome work
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  3. Boa noite de paz, querida amiga Teresa!
    Tempo de fortalecer o espírito...
    Todo o cenário que compor o texto é lindo e poéticopois
    Tenha dias abençoados!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz ebem

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  4. quem melhor que tu, Teresa, para dar ênfase e emoção a essa belíssima aguarela de encantamento que transportas para tua escrita?

    quem melhor que tu, minha amiga, para desfolhar esse livro de "Agosto poliglota" e dares a ler "o sabor a figos e amoras silvestres"?

    quem melhor para celebrar "e sangue D’ouro a correr nas entranhas", como quem profere uma bênção ou conta um segredo?

    Uma maravilha, Teresa Almeida Subtil.
    adorei ler, "mirandesica" talentosa.

    beijos

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  5. Em agosto lês com gosto a Natureza que te rodeia e que amas. E deixas-nos com vontade de rumar a Miranda só para saborear o que dizes...
    Um grande beijo, minha Amiga Teresa.

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  6. Olá Teresa!
    Faço minhas as palavras da Graça. Eu, que apenas conheço Miranda de passagem, o meu olhar projectou-se mais para as arribas do Douro. Desconheço pois, essa estonteante beleza que tão bem descreves. Vou ter que ir a Miranda!
    Um beijo, minha Amiga Teresa!
    A.S.

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  7. "Havemos de ir a" Miranda, Teresa, parafraseando a tão conhecida letra de Pedro Homem de Mello, eternizada por Amália, para apreciar "in loco" essa beleza, esses sabores,esses cheiros que descreve com emoção e amor.

    Um texto que encanta. Prende-nos do princípio ao fim.
    Parabéns, minha amiga, por tão bela escrita.

    Beijinhos

    Olinda

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  8. Todo lugar tiene su encanto...sin dudas nos deja huellas de lo maravilloso que es ver la naturaleza de frente y pervive en el recuerdo.

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  9. Mirando Miranda, mirando a Teresa. Sem subtilezas, mas com uma beleza ímpar transpirando do olhar. Ah, grande Mulher!

    Um beijinho :)

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  10. Boa tarde Teresa,
    Um texto maravilhoso que de tão belo é como um convite a visitar as terras de Miranda onde deve ser um encanto viver!
    Um beijinho,
    Ailime

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  11. Até apetece ir a Miranda. Tal como diz a minha prima Gracinha,"adoro o olhar e a beleza da escrita".
    Bjs, saúde

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  12. Um texto poético é uma pintura que não nos cansamos de olhar e apreciar. Cada frase nos traz imagem de encanto e nos coloca em um ambiente e pura alegria. Lindo! Bjs.

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  13. As searas, minha amiga, as searas...ao tempo que as não vejo. E Agosto no fim
    e essa terra que chama, encanta e dela se
    encanta a escrita de quem dela tanto a
    ama.
    Mas este não foi um Agosto de frio. Foi mais
    o desgosto de incêndios e vírus. Pobres daqueles que mais isolados ficaram...
    Havemos, sim, de ir a Miranda... um dia.
    Abraço caloroso, Teresa.

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  14. Olá, querida Teresa!

    É sempre tão agradável ler-te!
    Pões na escrita uma arte, que é só tua, e com a qual ficamos deslumbrados.

    Agosto foi atípico, mas a tua avó Adília tinha razão. Miranda, que não conheço, deve ser fresca e airosa e o livro ajuda.

    Estou de férias e tenho uma surpresa no meu blogue. Aceitas? Obrigada!

    Beijos e abraços, e já agora, bom setembro.

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  15. Que bom que o vento trouxe esta folha solta de Miranda para o lado de cá. E quanto me deliciei com esta prosa poética de amor à terra. Um primor de texto!
    Um beijo, minha amiga Teresa!

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  16. Maravilhoso diálogo, entre a imagem, e as suas palavras apaixonadas, Teresa, que tão bem sabem traduzir o espírito da terra e das suas gentes...
    Adorei esta simbiose tão perfeita, que se aprecia e saboreia em cada palavra! Um beijinho! Bom final de domingo!
    Ana

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  17. Um texto belo num tempo de ardentia, que infelizmente propicia respaldo aos infestantes incendiários, a quem infelizmente ainda ninguém deitou a mão com a severidade que é requerida, face a tão grave ação criminosa.
    Abraço.
    Juvenal Nunes

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Fui d'abalada