O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Al tou lhume

Nun era l reissenhor de Florbela,
mas toda la nuite cantou,
melodie nun sustenida
que l biolino tocou.
Soában uocas las palabras,
geladas i sien cherume, 
talbeç só l sonido tenga altura
de me poner al tou lhume
an terrena partitura.


Teresa Subtil

A teu lado
Não era o rouxinol de Florbela,
mas toda a noite cantou,
melodia não traduzida,
que o violino tocou.
Soavam ocas as palavras,
frias e sem significado,
talvez só o som tenha altura
de me colocar a teu lado
em terrena partitura.

10 comentários:

  1. Um poema muito inspirado, Teresa. Não, não era o rouxinol da Florbela. Este rouxinol cantava para que pudesses sentir como é intransferível a tua vida...
    Uma boa semana.
    Um beijo, minha Amiga.

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  2. Sim, de facto,as palavras "gastam-se", bem o sabemos, desde, pelo menos E. Andrade o disse. E delas, porém, fica a bailar o som dolente de sua música, que se dilui num cântico longínquo.

    belíssimo poema. por certo não o "rouxinol de Florbela", mas atrevo-me a afirmar que o "canto de cotovia" em final de tarde.

    gostei muito, aniga
    (que pena tenho de já não saber dizê-lo em mirandês! rss)

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  3. Manuel Veiga, obrigada pelo comentário. Ou és mirandês ou viveste no planalto. Eu não nasci aqui, mas apaixonei-me pela língua mirandesa.
    Beijinhos.

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  4. Oh...e eu que estava a ouvir o rouxinol nas tuas palavras...e cortaste o pio...
    Que lindo! :)
    Bji Teresa!

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  5. Minha Amiga,

    Primeiro esta foto belíssima, um universo
    poético de cores!
    O teu poema é inscrito da tua vibração única,
    que alcança uma expressividade de cantar
    o amor na suavidade e sensualidade
    encantadoras!...
    Beijinhos.

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  6. Há momentos tão sublimes, em que o voo é tão elevado, que as palavras para além de indizíveis perdem a sonoridade, dando lugar a contemplação.
    É o que eu sinto no meu regresso a este lugar...

    Beijinho Teresa

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  7. Belo poema, como sempre. Gostei imenso.
    Em Mirandês o "v" é sempre "b"? É que no Minho o "v" quase não é pronunciado (ex: Biana, bida, bindima, etc., etc.).
    Bom resto de domingo e boa semana, querida amiga Teresa.
    Beijo.

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