segunda-feira, 21 de maio de 2018



O murmúrio dos líquenes

É quando os passos seguem a memória
Que o olhar se exalta num mar tranquilo
E o trilho se faz florindo.
E cada toque de mão
É pétala abrindo ao arfar do coração.
Cativo.

E em caminho esquivo e tempo espúrio
É firme a rocha que se abre ao solfejo.
O lugar é peito que se expande e arde.
E é de desejo que os líquenes se agarram
E os lábios se abrem.

Liberta-se maio, murmúrio antigo
Aqui retemperado e festivo.



Teresa Almeida Subtil
(Casa de Chá da Boa Nova)



8 comentários:

  1. que todos os Maios te sejam "murmúrios antigos" retemperados e festivos.
    belíssimo poema, Teresa - a manter intacta a suavidade dos líquenes e das pétalas.

    beijos, minha amiga


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  2. Belo murmúrio...
    Parabéns pelo teu poema, é excelente.
    Bom fim de semana, amiga Teresa.
    Beijo.

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  3. Teresa,

    Muito belo, puro encanto a trazer
    do canto da memória o trilho florido do coração:

    "É quando os passos seguem a memória
    Que o olhar se exalta num mar tranquilo
    E o trilho se faz florindo.
    E cada toque de mão
    É pétala abrindo ao arfar do coração."

    Ficou em harmonia com a música tão bela escolhida, amiga.
    Aprecio imensamente a tua arte poética admirável.

    Votos de feliz final de semana!
    Beijinhos.

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  4. Querida Teresa

    Já me aconteceu os meus passos seguirem os caminhos da memória, numa descoberta agridoce.

    E sim, compreendo a magia deste Maio. Composto de sussurros antigos e de nova semente que floriu no seu coração. O seu menino d'oiro.

    Gostei muito da imagem dos líquenes que se agarram,(aos muros), qual força do amor que faz do peito a sua morada.

    Beijinhos

    Olinda

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  5. "Quando os passos seguem a memória" podemos tecer a vida com o encantamento que desejamos. Seja mar, ou vento, ou líquenes, chegamos sempre onde "o lugar é peito que se expande e arde". Tão belo, Teresa!
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  6. Há, nas tuas palavras, um constante apelo à ancestralidade, como que o rebuscar dum paraíso (quase) perdido.
    Deleito-me a ler-te, Teresa.

    Abraço :)

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  7. Mais outro trabalho delicioso, que foi um prazer descobrir e apreciar...
    Adorei este murmúrio... ancestral... de que o AC fala...
    Magnifica inspiração... muito bem harmonizada, com a música de Rui Veloso...
    Um beijinho grande
    Ana

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  8. Andei a ler vários textos e fiquei encantada!
    Muito grata por partilhar tanta beleza!
    Um beijinho*
    Fanny

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O comboio nunca partiu