sábado, 19 de janeiro de 2019

Ambiguidade


A geada roubou lírios à janela.

E as magnólias brancas e perfumadas

São agora escuras taças

Desabitadas.



Na lagoa nada se espelha

E as aromáticas da ribeira

Reclamam perfumes de outrora.



Falta o espírito dos licores

E a adega da motivação.



Há um chão em que a alegria dói

E a ambiguidade explode.



Ao longe um silvo de saudade

E linhas de palavras 

Geladas.



Teresa Almeida Subtil


17 comentários:

  1. Uma harmonia entre as palavra, e a natureza. O chão doí, quando maltratado, sem perfume, gelado e seco. Um inverno reclamado.
    Um excelente ano para todos com saúde.
    Bjs

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  2. e' por vezes dura a natureza, mas la' terá as suas razoes.
    um belo poema este, minha amiga Teresa, que descongela o coração.
    uma boa semana e perpétua inspiração. bj.
    LuisM

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  3. Bom dia , belo poema, revela em cada palavra algo que necessita de ser descongelado, não para que falte o espírito dos licores, mas para que mantenha o espírito dos licores aquecidos permanentemente.
    AG

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  4. Que possam desfazer-se as ambiguidades, que a maior parte das vezes nos deixam desconcertadas(os).
    Bjo e bom domingo

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  5. poema depuradíssimo e vibrante ...
    como se o "silvo da saudade"se erguesse do "espírito dos licores"
    para reclamar os "perfumes de outrora" e repor a natural "linha da palavra", porventura perturbada por espúrios "chãos" (ou devoções)

    gostei muito, Teresa

    beijo

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  6. "Há um chão em que a alegria dói
    E a ambiguidade explode."
    É na Natureza como na vida. Tudo é secreto e imprevisível nas margens daquilo que desejamos…
    Um belíssimo poema, Teresa!
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  7. Situações não clarificadas, coisas ditas sem convicção, sentimentos não expressos com sinceridade, tudo isso cria incertezas. Na verdade, o que nos envolve: a natureza e aquilo de que gostamos, tomam um ar embaciado e esmorece.

    Na sua bela linguagem poética, querida Teresa, disse-o tão bem.

    É sempre um gosto lê-la.

    Beijinhos

    Olinda

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  8. Buenas tardes, a mi me han impresionado la belleza y fuerza de estos versos +que dicen mejor que mis palabras lo que yo entiendo:
    Há um chão em que a alegria dói

    E a ambiguidade explode.



    Ao longe um silvo de saudade

    E linhas de palavras

    Geladas.

    La sinceridad y la belleza anidan en el alma de esta poesía. Un abrazo.

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  9. Nem sempre é simples comentar sobre um poema, na verdade considero quase nunca ser, porque penso que o comentário pode não ficar à altura da intenção do autor, senti um pouco isso ao ler esse teu poema, pois me abriu tantas margens de interpretações... Tuas palavras têm, às vezes, um misto de delicadeza e crueza, Teresa, e eu gosto disso, eu também gosto de te ler! Abraços.

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  10. Sobre uma paisagem hibernante paira a incerteza
    no entorpecimento dos dias desprovidos de beleza,
    em que se recordam com saudade, dias melhores...
    Ao contrário do habitual, apreciei sobremodo a
    profunda nostalgia do poema sublinhada pelo canto
    dramático do par ibérico.
    Beijinhos, Teresa.
    ~~~~~

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  11. Mas depois da geada vem a vida, renovada...
    Excelente poema, gostei muito.
    Amiga Teresa, um bom fim de semana.
    Beijo.

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  12. Essas incertezas, essa ambiguidade para alguma coisa devem servir, quem sabe sirvam como exercícios para mantermos um espírito mais elevado nessa conturbada vida!? Belo poema, amiga!
    Um beijo, querida Teresa, um ótimo domingo.

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  13. Boa noite, Teresa, os primeiros versos desse teu belo poema "A geada roubou lírios à janela", teve a força para levar os meus pensamentos à minha cidade natal, São Joaquim, onde a geada e a neve se alternam no inverno, e gelavam todas as flores, só não gelaram o coração daquela criança que fui. Esse é o poder da poesia, que recupera sonhos.
    Uma ótima semana, minha amiga,
    Beijo
    Pedro

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  14. Vim à procura de novidades...
    Na falta delas, gostei de reler o poema, que é magnífico.
    Teresa, continuação de boa semana.
    Beijo.

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  15. E a natureza, e os sentires... renovam-se... em todas as suas ambiguidades... que abrem caminho... para outras tantas possibilidades... adorei este paralelismo entre ambas...
    Mais um notável momento de inspiração... que casou muito bem, com uma acertada opção musical...
    Beijinho
    Ana

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  16. Não tarda , querida amiga, que tudo explodirá em breve ao som das palavras que soltas, sementeira da próxima estação. E as escarpas serão mais uma vez cantadas com o desafio dos teus poemas com que tanto encantas.
    Grande Beijinho, Teresa

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