segunda-feira, 15 de abril de 2019

De ti


De ti

De ti guardo a fantasia
roubada à socapa no jardim ao lado,
guardo páginas rubras de poesia,
um fado, um livro
e a urgência do romance
apenas começado.

De ti guardo a liberdade do olhar
no fulgor perscrutador do silêncio,
guardo palavras com aroma a café
e o diálogo acordado dos lábios 
noite dentro.

De ti guardo a alegria
de sementeira matinal,
guardo a rosa rubra aberta à alvorada
e um cravo vermelho amadurecido,
colhido por mãos que roubam flores
à madrugada.





De ti

De ti guardo l delareio,
Roubado a la falsa fé ne l jardin a la borda,
guardo páiginas burmeilhas de poesie,
un fado, un lhibro
i l'ourgença de l remanse
acabado de ampeçar.

De ti guardo la lhiberdade de l mirar
na lhuç que porcura l siléncio,
guardo palabras cun cheiro a café
i la cumbersa guicha de ls lhábios 
nuite afuora.

De ti guardo l’alegrie
de sementeira matinal,
guardo la rosa quelorada abierta a l’alborada
i un crabo burmeilho amadurado,
colhido por manos que róuban froles
a la madrugada.



Teresa Almeida Subtil

9 comentários:

  1. Guarda, sim, a fantasia, a liberdade do olhar, a alegria e tudo o mais que o coração consentir. Lindíssimo poema, minha Amiga Teresa. Foi um gosto ouvir o Zeca.
    Uma boa semana e uma Páscoa cheia de Amor.
    Um beijo.

    ResponderEliminar
  2. Quanto se pode guardar de quem amamos e nos ama: "que amor não engana"...
    Como sempre, encanta-me a tradução dos versos em mirandês!
    Boa semana e uma feliz Páscoa!
    Abraço!

    ResponderEliminar
  3. De ti - que belo poema, minha amiga!

    De ti guardo a liberdade do olhar
    no fulgor perscrutador do silêncio,
    guardo palavras com aroma a café
    e o diálogo acordado dos lábios
    noite dentro.


    Uma linda Páscoa pra você, com toda a poesia no coração.
    beijo!

    ResponderEliminar
  4. De ti guardo o enorme gosto em ler-te
    e o prazer de saber-te, poetisa, amiga, mulher, profundamente vinculada
    aos territórios e aos lugares que me povoam e que são teus...

    enorme teu Poema, Teresa Almeida

    Beijo, querida amiga

    ResponderEliminar
  5. Tanta coisa para guardar! E só maravilhas!
    Gosto especialmente da primeira estrofe que sugere uma lua de mel...
    Um poema de Abril encantador... há muito que não ouvia o Zeca.
    Dias de agradabilidade e contentamento.
    Tudo bom, Teresa.
    Beijinhos.
    ~~~~

    ResponderEliminar
  6. "De ti, guardo a fantasia",
    Como o sonho mais real
    Do perfume, em recital
    Dos textos de poesia!

    Teresa, tens a magia
    De versejar com o tal
    Engenho, que em Portugal
    É luz que a alma alumia!

    Desde Camões se verseja
    Com devoção em que igreja
    É a profissão de uma fé

    A Deus e a luz que sobeja
    Da Sua luz. A cereja
    Do bolo, o teu verso é!

    Parabéns, Teresa! Sempre primorosa em tuas composições! Deus seja louvado! Grande abraço! Laerte.

    ResponderEliminar
  7. Olá, Teresa!
    Um poema sensível, delicado poema, um canto de amáveis lembranças. Gostei muito, minha amiga!
    Meus votos de uma Feliz Páscoa, Teresa.
    Um beijo.
    Pedro

    ResponderEliminar
  8. Maravilhoso poema... com uma energia contagiante, e um entusiasmo... que se bebem a cada palavra...
    E já guardado... este belo poema... para qualquer dia o destacar lá no meu canto, se não vir inconveniente, Teresa!
    Para ler e reler... Adorei!!! Beijinhos! Feliz Páscoa!
    Ana

    ResponderEliminar
  9. Grata, querida Ana Freire.
    Se as minhas palavras saltarem para o seu blogue, só posso sentir-me feliz. Entendo que a poesia é para ser partilhada e degustada.

    Beijos.

    ResponderEliminar

Fui d'abalada