sábado, 9 de novembro de 2019

Flor do tempo

 Eras flor do tempo, entusiasmo, alegria

Eras estrela! Mesmo de candeeiro numa mão

E eu na outra, alumiavas o breu da noite.

Eras esgalhada numa época de portas baixas

E vistas estreitas.


Saí do mundo mágico e a cada regresso

Sentia-te as maleitas. E um dia

Caíste com o cesto dos marmelos e a chave do portão.

E o leito passou a ser-te sala, rua, quintal

E a vinha que já não desfolhavas, mas amavas.

E foste perdendo a razão.


Não voltaste a levar o banco ao arraial.

Nem à praça, nem ao poial das amigas.

Eras do tempo em que as viúvas não iam a festas

Nem cantavam na igreja.

Mas tu a cantar, rezavas.

A vida era bela. Deste-me este sentimento.


Partiste um dia e perdemos-te o chão sagrado

Mas o teu nome ficou exarado com a família

Adília do Nascimento, avó querida

Estrela que me guia

Poesia na minha vida.


Teresa Almeida Subtil




10 comentários:

  1. O seu poema é muito comovente...
    Talvez porque tive uma avó viúva, desse tempo.
    Lembrei-me que também preciso dedicar-lhe um poema...
    Gostei muito, Teresa.
    Ótima semana,
    Beijinhos
    ~~~~

    ResponderEliminar
  2. Um poema dedicado à Sophia, tão cheio de sentimento e sentido nesta mistura com a avó Adília do Nascimento. As imagens da Sophia que o vídeo passa dão-nos o retrato da Mulher, da Cidadã, da Poeta…
    Uma boa semana, minha Amiga Teresa.
    Um beijo.

    ResponderEliminar
  3. Um poema como dedicatória a Sophia de Mello Briner ( não sei se é assim que se escreve ) simplesmente magistral. Amei ler.
    .
    Votos de uma semana feliz
    Cumprimentos poéticos.

    ResponderEliminar
  4. "perdemos-te o chão sagrado..."
    são assim as vozes íntimas (e as lágrimas)
    que não cabem num poema, belo que seja.

    gostei muito, muito, minha querida amiga.

    beijo, Teresa

    ResponderEliminar
  5. Boa noite, Teresa!
    Gostei muito deste seu poema, “Flor do tempo”, que se inicia com estes delicados versos:

    “Eras flor do tempo, entusiasmo, alegria
    Eras estrela! Mesmo de candeeiro numa mão
    E eu na outra, alumiavas o breu da noite.”


    Uma ótima semana.
    Beijo, Teresa.
    Pedro

    ResponderEliminar
  6. Querida Teresa

    Poema cheio de amor, pela avó, pelas coisas da vida vivida, pelos mais pequenos detalhes que nos preenchem e dão força.

    Poesia linda, minha amiga, esta que faz, que produz com alma e coração.

    E o video sobre Sophia, lembrança bela desta nossa autora muito querida.

    Beijinhos

    Olinda

    ResponderEliminar
  7. Tocante, profunda e sentida homenagem.
    Beijinhos
    Maria

    ResponderEliminar
  8. Excelente poema, na forma e no conteúdo.
    Parabéns pelo talento.
    Teresa, um bom fim de semana.
    Beijo.

    ResponderEliminar
  9. Duas sentidas e emocionantes homenagens... uma literária, a outra musical... a duas verdadeiras estrelas... muito bem interligadas...
    Gostei imenso, Teresa, desta inspiração tão bonita, tocante e especial!...
    Beijinho
    Ana

    ResponderEliminar

Cativa-me