domingo, 18 de março de 2018

E tudo isto o ser humano consente ...


De repente … a imagem atravessa-me a mente 
E a culpa nunca nos pertence.
São mesas requintadas 
e fartura sem limites.
São paramentos dourados e crianças tristes.
Desertos de sede e de fome.
Desespero. Crianças-esqueletos deambulando
Sem nome.
Só areia e pedras. E sofrimento.
O caos da inteligência. A desumanidade.

A imagem atravessa-me a mente.
Onde estão as palavras selvagens
As bandeiras da liberdade?
A vontade de desarmamento?
E os exterminadores de inocentes?
Palavras não chegam, nem correntes, nem orações.
Está visto.

A imagem atravessa-me a mente.
Onde estão os poderosos e os milhões?
O povo não percebe. 
O povo não sabe. 
Exige-se ação, paz e pão.
E não saímos disto.

Teresa Almeida Subtil


7 comentários:

  1. "E tudo isto o ser humano consente..."
    Na maioria frágeis criaturas que mostram o tanto de contraste existente, uns ficam no pão, no sofrimento, outros no caviar e no luxo. Os que dominam, com a melhor parte, é lógico.
    Teu poema na medida que é maravilhoso, também é triste, delata, mostra, um grito sufocado pela incopetência e ganância de muitos. Ás vezes não há solução, os que detém o poder, pouco querem fazer.
    Não; não mais abraçar praças, criar correntes de orações, nada adianta. O povo percebe os poderosos, mas já sem forças. Difícil é, mas um dia alguma liderança toma a frente. Não há mais o que dizer, Teresa, você já disse! Poema lindo e forte - como deve ser diante do sofrimento de muitos.

    Beijo, querida, uma ótima semana.

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  2. "Exige-se acção!" - organizada e consequente, permito-me acrescentar
    pois que, em minha modesta opinião,nada de bom para os mais débeis e vulneráveis cai do céu, sem ser conquistada com "sangue, suor e lágrimas..."

    gostei muito do texto, Teresa.
    felicito-te.

    beijo

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  3. Às vezes , atravessa- me a cobardia de afastar essas imagens dos olhos secos , Teresa. Penso que sou e estou débil demais para que o meu cérebro - e coração - percepcione o horror , aparentemente normal nesta era em que vivemos . Mas “hélas”, querida amiga, não estou só nesta solidão . E, como tu, também digo : até quando ? É meu lamento ou decrepitude do Mundo ?
    Obrigada , Teresa, por me fazeres sentir mais viva . E triste como teu poema - grito !
    Abraço , AMIGA! 😘

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  4. Sim, é verdade, querida Teresa. "Não saímos disto". Todos os dias, a toda a hora, acontecem coisas que nos envergonham e amarfanham o coração. Mas, há uma apatia, um deixa andar atroz. Parece uma banalização do mal a que só daremos o real valor se nos acontecer a nós. Que tenha Deus piedade da Humanidade!

    Um Poema-mensagem que todos deveríamos ler e pensar no que cada um de nós poderá fazer...

    Beijinhos

    Olinda

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  5. Teresa, este poema é um grito de alerta para tudo o que o nosso mundo representa. É um poema de reflexão. E fico a pensar como às vezes as palavras podem trazer tanta esperança e tão pouca...
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  6. Poema que é um grito de alerta.
    Palavras necessárias e que podem ser uma arma.
    Bom fim de semana.
    Beijinhos
    :)

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  7. Querida Teresa,

    Um poema comovente de intervenção!!...

    "A imagem atravessa-me a mente" nesta
    sensação que tudo falta!...

    Minha amiga, coloquei as minhas leituras e
    comentários aqui no teu espaço que
    sempre aprecio e mora no meu coração,
    o meu tempo é corrido e por isso
    demoro um pouco, mas apareço...rss

    Beijinhos.

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