sexta-feira, 3 de julho de 2020

Ao sol poente

O som soltava-se ao alto da mansão
Dedilhado por mãos sábias
E coração cálido.

Ela abrandou o passo e ninguém percebeu.
Desprendeu-se.
Murmúrios e beijos repercutiam-se
Vadios.

E a portada envelhecida vestia a dignidade
Da partitura da tarde.
E nela se entranhava o cheiro a terra molhada.


E a trepadeira de flor miúda escalava o momento
Perfume-jasmim, melodia
E sentimento

E o gato de olhos esbugalhados
E a brisa a arrepiar a finura dos ramos
E a terra a arder e a saia amarela
A bailar ternamente.

Ao olhar para trás
Apenas uma pequena casa
Abandonada. E uma porta mágica
No caminho estreito de terra batida.

Devagar, ela prosseguiu
E o som que mitigou a sede da palavra
Abriu o sol poente.

Teresa Almeida Subtil



16 comentários:

  1. Poema deslumbrante, Extasiado, li e reli. Muito bonito mesmo
    .
    Cumprimentos poéticos

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  2. Parabéns!
    O seu poema é magistral!:) 🌼
    .
    Deambulo no baú dos sentimentos ...

    Beijo e uma excelente Sexta Feira

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  3. Belo Poema
    (enigmático no misticismo)

    Lembra-me um santuário
    Onde os sons profundos
    Trazem Paz ao espirito.

    A Porta de
    "A Casa Fechada"
    By: António Zambujo

    https://youtu.be/L2Hh1eq1KrI

    Um beijo, Amiga

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  4. Teresa querida, belíssimo teu poema, li e reli ao som do maravilhoso vídeo da música de Oscar Straus. As aves num magistral bailado, muito bonito.
    Toda a postagem está um show!!
    Beijos, um bom fim de semana!

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  5. Cheirou-me a terra molhada que me mitigou a sede. E fui com as aves... Magnífico poema e uma música com um vídeo de encantamento e sedução, Teresa, minha Amiga!
    Um bom fim de semana.
    Um beijo.

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  6. Belissimo Teresa!
    As palavras fazem com que o poema incandesça,
    moldam o poema, sílaba a sílaba, uma escultura perfeita onde vemos para além dos seus contornos!

    Beijos e um bom fim de semana!

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  7. Lindo Teresa e por isso o nosso aplauso... 👏👏👏👏👏

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  8. Querida Teresa

    Dá mesmo vontade seguir os seus passos ao som dos acordes que vêm da mansão e percorrer consigo esses caminhos da memória ou da fantasia.

    Música que se coaduna maravilhosamente com a delicadeza deste seu Poema, minha querida amiga.

    Beijinhos

    Olinda

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  9. um nostalgia risonha e cálida,
    mesclada da finíssima dor da saudade
    percorrem o poema como uma torrente subterrânea
    a marcar a sua indómita presença...

    e como rodopia a linda saia amarela
    plena de vida! ainda...

    belíssimo! belíssimo!

    Beijo, Teresa Almeida
    adorei ler.

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  10. Ao pôr-do-sol tanta coisa linda e inesquecível pode acontecer, querida poetisa!
    Acompanhei, passo a passo, as tuas lembranças e gostei muito do gato e da tua saia amarela.

    O vídeo é tão belo e esvoaçante. André Rieu é assim, quase perfeito.

    Beijos e resto de bom domingo.

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  11. Cheira a regresso, a um avaliar do tempo, a recomposição dum cenário com vivências múltiplas...
    Estás a escrever cada vez melhor, Teresa.

    Um beijinho :)

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  12. Parece a descrição poética de uma cena de um filme. Com a música de fundo a realçar as palavras.
    Gostei muito do teu poema, é excelente.
    Bom resto de semana, querida amiga Teresa.
    Beijo.

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  13. Lindíssimo poema,gostei imenso!! Excelente mês de Julho para ti,muita alegria,muita paz e muita saúde para ti,fica bem,muitos beijinhos!!

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  14. Só me extasiei com a melodia das palavras, do revivido, da saudade, da poesia que emana do poema, da delicadeza e simplicidade de tudo.
    E viajei com os pássaros.
    Belíssimo poema, minha miga!
    Um beijo,

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  15. Uma apaixonante entardecer em que as palavras e a escolha musical, estabeleceram um diálogo de excelência e sensibilidade...
    Uma publicação ao mais alto nível! Parabéns, Teresa!
    Beijinho
    Ana

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