terça-feira, 24 de março de 2020

A Essência


                                              Declamação de Teresa Almeida Subtil.

domingo, 15 de março de 2020

Mãe, estou aqui!






De repente escancaras nos olhos
Voo de cotovia alvoroçada
Contra o vento desenhas o beijo
Meu poema, fonte cristalina
Hora plena, voo de madrugada.

Há melodias que nos pertencem
E nos cantam a candura dos dias,
Como o teu grito, o primeiro,
O grito que nos rasgou o ninho.

Já não sei se és mão ou caminho, mas
De repente, a estética e a audácia da palavra
Modelou-se ali: 
Mãe, estou aqui!

Teresa Almeida Subtil





quarta-feira, 4 de março de 2020

E à mesa éramos nove.



E à mesa éramos nove
Canto nono de inebriantes sabores
Entroncamento de vontades
E de todas as sedes
Olhos verdes de puros cânticos
E negros-azeitona em baile esquivo
Debulhados em azeite festivo
E a vida esmiuçada a cada garfada
E o néctar da adega
Perfume raro de uva mastigada
Degustado como se palavra fora
Alma Tua, vinha na ladeira da vida
Poesia florida na hora

Sem tempo é a voz de Mirandela
Porta aberta
Uma mão
Na ronda poética

Um mimo, um “CIBO DE NÓS”

Teresa Almeida Subtil




Esta poesia, da minha autoria, nasceu a propósito do último livro de Odete Ferreira, apresentado em Mirandela, no passado dia 29 de Fevereiro. É um título particularmente sugestivo, que me remete à infância. Ninguém esquece "o cibo" de pão" ou pequeno pedaço. Agradou-me desde a primeira hora. Estive presente na bela e participada apresentação, para onde fomos após o almoço. E acrescento que vale a pena ler este livro intemporal. Tive o prazer de dar, na hora, um sentido e merecido abraço de parabéns à amiga poetisa.
O almoço foi em divertida roda de amigos e uma delas lançou o repto: À mesa somos nove, vamos lá ver quem agarra no tema" Eu agarrei. Ela, Ana Bárbara de Santo António, já tinha escrito "À mesa éramos sete", no último encontro de escritores, promovido pela Academia de Letras de Trás-os- Montes. Parece-me que os almoços e respetivos registos estão a ganhar força. Da minha parte não quebro a corrente. E que venham motivos literários para o aprazível encontro. 








sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

DIE DE LA LHÉNGUA MAI

Tengo un namoro sabido de to l mundo




I adonde bou cháman-me mirandesa
Por bias de las palabras amerosas que digo
Nos cafés, nos seranos i nos tablados de bersos.

Las palabras fáien paixon
An quien la scuita i l’ agarra l’alma
L’alma de la fala de l praino
Que nace nun riu que you sei
I chube las arribas i agarra l cheiro
De tomilhos, chougarços, urzes
I quantas mais!

Ten lhuç d’oulibeira i gusto de laranjeira
Bola i strebola nas alas de ls páixaros
I até las gabiotas gústan de la cantar.

L Douro i ls poetas fazírun-la mar
I por tanto l’amar sigo adelantre
I sei q’ eilha me quier tamien.
Cumo pítula anxertada cun bigor.

I nesta arble scribo las palabras
Miu baile, miu canto, miu sentir
Eidentidade quiero dezir.

Tengo un namoro sabido de to l mundo
 I quanto cun mais proua l’amostro
Mais fondo scabo l amor.


Teresa Almeida Subtil



Tenho um namoro sabido de todo o mundo
E onde vou chamam-me mirandesa
Pelas palavras “amerosas” que digo
Nos cafés, nos serões e nas tertúlias poéticas.

As palavras provocam paixão
A quem as ouve e lhes agarra a alma
A alma da fala do planalto
Que nasce num rio que eu sei
E escala as arribas e sente o perfume
De tomilhos, arçãs, urzes
E quantas mais!

Tem luz de oliveira e sabor de laranjeira
Voa nas asas dos pássaros
E até as gaivotas gostam de a cantar

O Douro e os poetas fizeram-na mar
E por tanto amar prossigo
E sei que ela me quer também
Como puia enxertada com vigor

E nesta árvore escrevo as palavras
Meu vale, meu canto, meu sentir
Identidade quero dizer

Tenho um namoro sabido de todo o mundo
E quanto com mais proa o mostro
Mais fundo escavo o amor


 Teresa Almeida Subtil


sábado, 15 de fevereiro de 2020

Associaçon de Lhéngua i Cultura Mirandesa
Purparando l die de la Lhéngua Mai.
Atentos ...

Raiana

Porque és meu, 
Mergulho, em jeito de raiana, e abraço-te
em todas as latitudes. Descubro as línguas
que te adulam, e te emolduram
na filigrana mais requintada.
Balanço-me nas palavras que te envaidecem
e nas margens que reverdecem
de esgares emoções. Sinto-me amada.
Ultrapasso-me e deixo a modéstia e o consensual
para te ser desregrada, palavra carnal.
Não sei se és leito, ventre, foz, partida ou chegada.
Em ti sou estrada, caminho balançado. Balançado sempre.
O mais belo bailado, a melodia que me embriaga.
Sem ti não sou nada. Porque és meu
desde que me conheço e te beijo
que sonho dizer-te
mais do que alguém te confessou.
A minha grandeza só é tamanha
porque és meu -  Douro lindo!

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Ye segredo



É segredo

ser cachoeira, espírito independente e livre
sorver das águas o brilho e a sedução,
tocar o equilíbrio e a confiança
dos penedos ásperos e austeros´
ameias do templo, esteios do berço,
e agarrar dos céus o voo
suavidade e melodia do tempo
em mim.

Teresa Almeida Subtil


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