O poema só nasce onde quer
Como um pé de fiolho,
é pura emoção selvagem ...

domingo, 29 de maio de 2011

Os sonhos fazem-se ao largo


Quem assim se faz ao largo
ama muito, em demasia
não lhe basta qualquer sonho
quer antes desdobrar-se
em mares imensos de poesia

Os sonhos fazem-se ao largo
mas devagar, devagarinho
contornando correntes loucas
que traiçoeiras e repentinas
querem  bloquear o caminho

Inesgotáveis são os sonhos
que navegam em veleiros
imenso o mar que os embala
louca  a vontade de mudar
e com entusiasmo embarcar

Teresa Almeida 26.05.11

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Nunca estive na tua varanda


Mas escrevo debruçada nela
Onde os anseios trepam alto
Ondulam em cores do arco-íris
Nascidas num cordão de mar
E m algo é preciso  acreditar

Do negro ventre da tua ilha
Brota um néctar rubro, perfumado
E o verde esperança dos campos
Em  frequentes chuvas acariciado
Em carne e leite é transformado

Até as nuvens ao Pico desceram
E do fogo das entranhas
Uma nave espacial fizeram
E se o governo desgovernasse
Seria natural que voassel

Escrevo  de um amor original
Sei que uma lágrima assomaria
Se na tua varanda me sentasse

Teresa Almeida 21.05.2011

domingo, 15 de maio de 2011

Balanço Poético



Sei que este mar de poesia
É todo teu
Mas dá-me um pouco
Só um pouquinho
Para que eu possa abraçar
A subtileza das palavras
Que os teus braços
Sejam o meu navio
E no teu balanço poético
Eu aprenda a navegar

Teresa Almeida, 15.05.11

sábado, 14 de maio de 2011

Na praia arde o teu luzeiro

Na praia arde o teu luzeiro

Enterro as pernas na areia
Num banho de sal verdadeiro
Ondas em cadenciado movimento
Não sei se mergulho ou levito
Em sonhos que acenam ao largo
E fico presa no  primeiro

Nem quero palmilhar a baixa
Procurando o último grito
Da moda  me distancio
Enterro a pernas na areia
Cubro-me do mais belo luar
Em azuis de céu e mar

Foi em mim que desenhaste
Caminhos de lua nova
Era verde o nosso  momento
Cristalinas as gotas de água
Que pintaram o arco iris
Na primeira madrugada

Não me deslumbra o paquete
Nem os brilhos de cruzeiro
É aqui  que se acendem
Estrelas no meu corpo
É nesta nesga de praia
Que ainda arde o teu luzeiro

Teresa Almeida 14.05.11

Entardecer




Deito-me no silêncio
deste breve entardecer
Olho o teu corpo
em promessas de infinito
Trepo tremendo
...em ânsias de me prender
E delicio-me
com o enamoramento de palavras
deslizando no rio

Teresa Almeida 10.04.11

“SINERGIA”



A queda de uma pena
silenciou qualquer ruído
Demónios da mente
que se evaporam
no calor da luz…
Cores em catadupa
iluminam quartos vazios
Planícies plenas…
Será falsa realidade
ou
P
R
I
M
A
V
E
R
A
que me invade
todos os ecos…
Sussurro, livre do Inverno
que me perturbou
os sentidos
Rimo com ele…
um veemente adeus…


E, há quanto tempo eu esperava
com a janela escancarada
esse perfume subtil
que escalou lentamente a noite
no balanço duma pena
abandonou a nostalgia
acordou auroras de alegria
e, tocando-me, estremeci
A Primavera, para ti, colhi
Com surpresa e ternura despertaste
e, em esplendor, me abraçaste
Nesse dia, um baile de emoções
rompeu espontâneo no jardim
Afeiçoados em roda de poesia
bailámos num ritmo sem fim...

Jc Patrão / Teresa Almeida
02.04.11



terça-feira, 10 de maio de 2011

Por onde se começa?

Por onde se começa?

Trago o humor debaixo do guarda-chuva
Não quero hoje ver sorrisos
Que ao cruzar me alvejam
Ferem-me os olhares felizes
Aconchego-me à nostalgia
Escondo a claridade e a alegria
A noite é minha amiga
Prefiro chuvas e trovoadas
Verdadeiras e desastradas
Quero mudar tudo depressa
Mas...
Por onde se começa?

Teresa Almeida 10.05.11

sábado, 7 de maio de 2011

Que bem sabem cantar!


O estorninho calou-se
De amores se perdeu
Em volúpias ardentes
Encostou-se à noite
E com ela ela adormeceu

Já o rouxinol  que tão bem canta
Na sua louca paixão
Não aguenta a espera
Namora de madrugada
Numa canção desesperada

O melro,  negro retinto
Sabe como agradar
De galho em galho redopia
Namora, canta e assobia
A quem anda a jardinar

Será que é fiel?
É tão companheiro e sedutor
Estão sempre à espera dele
A qualquer hora do dia
Namora, canta e assobia

Serão eles que as escolhem
Ou serão conquistados?
É um segredo que sabem guardar
Companheiros, amigos e amantes
Que bem sabem cantar!

Teresa Almeida 07.05.11

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Cheiro a maresia




Há um calor de fim de tarde
Num abraço à beira - mar
Os quilómetros que eu faria
Ao volante do teu olhar
Por um cheiro a maresia

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Repasseado - Dança mista

Un baile de ruoda de cariç popular, al sonido de l gaita de foles, qu´anima las festebidades de l Praino Mirandés.
Na Tierra de Miranda las pessonas gústan de beilar l repassiado nas praças, terreiros ó an qualquiera ajuntouro. Ls pares bán sendo sustituídos al modo que se astrében a antrar.