sábado, 30 de dezembro de 2017

Abraço furtivo

É fácil saltares a janela e rumares à galhardia de finais dos anos sessenta. Leva os discos que trazias quando um dia bateste à minha porta. Esquece a cena em que atirei a foto que, no comboio, te dei. Quando nos olhámos pela vez primeira. Esquece. Eu não consigo. Quando prometias tesouros e melodias que amei. E amo. Era eu menina de colégio e de medo. Esquece. Eu não consigo. Voltaste da guerra e, de novo, bateste. A porta era outra e eu já longe daquele abraço furtivo. Já não encontro a tua veia poética.  Que à época, era só minha. Diz-me da poesia e das das noites em que os Beatles nos esfarrapavam a roupa. Tão pouca!

Muda o ano e a vida arde na fogueira. E um Porto Fino borbulha entre a ousadia e a imaginação.

7 comentários:

  1. Tudo muda , tudo se vira conforme a dor ou a alegria.
    UmFeliz Ano Novo minha querida amiga
    Que te traga tudo o que desejas
    Terno Abraço

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  2. excelente colheita a desse "vinho fino", quer dizer, cálidas memórias a "arder na fogueira" em que te aqueces.

    e os Beatles, claro! no desassossego dos abraços (furtivos)

    belíssimas memórias, Teresa Almeida

    beijo, minha amiga
    os melhores votos de Bom Ano

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  3. Um texto daquilo que a lembrança guardou no coração. Muito belo, Teresa.
    Que tenha um Ano muito Bom.
    Beijos.

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  4. Teresa Almeida, contextualizadora de paisagens e afectos...

    Um excelente ano, Teresa!

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  5. A paixão nas palavras, acordando
    a memória e se inscrevendo poesia
    na beleza vida! ...
    Sempre bela poética, amiga! !
    Beijinhos.

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  6. As tuas memórias acordam as minhas.
    Os teus despertares são a nostalgia dos meus.
    Mas se me falas do teu rio, me chama que eu vou.
    Bela a tua prosa poética,Teresa amiga!
    Meu abraço!

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O comboio nunca partiu